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Uma mulher com sorte.

"Não subestimes as capacidades de um Destino irónico..."

Uma mulher com sorte.

"Não subestimes as capacidades de um Destino irónico..."

Sou livre, obrigado Abril.

por Inês, em 25.04.15

25-abril-cravo.jpg

 Talvez eu não saiba valorizar a liberdade, felizmente desconheço o que é estar preso ao que quer que seja.

Faço o que quero, digo o que me apetece. E que me perdoem os meus pais, que ainda dependo de alguns assentimentos. E que me perdoe a sociedade por acreditar, estupidamente, que não me sujeito ao que aprendo nela.

Consigo imaginar uma realidade horrível, na qual o certo e o errado se definem pelo seguimento, ou não, do pensamento, das ideias, dos valores e costumes de uma só pessoa, um tal ditador, que possui mais direitos que qualquer outro.

Talvez eu não saiba do que falo, ou melhor, tenho a certeza de que não sei.

Os livros de História não me ensinaram muito, aliás, os livros não me ensinam nada se eu não me identificar minimamente com o que leio. E a verdade é que, para minha sorte, não vivi, não experienciei o que lá está escrito. Mas os meus avós sim, e os meus pais também, e sei lá se eu não teria grandes doutores na família se eles viessem a saber mais cedo o que é isto de ser livre.

Nascemos no campo, somos gente da terra, e não teríamos tido oportunidade de ir para outro sítio, caso o quisessemos, se tudo não tivesse mudado. Estavamos tramados, limitados pela nossa origem.

Ás vezes penso em como seria "uma mulher com sorte" antes de 1974. Sinceramente, mesmo que o meu sucesso implique determinação, vontade e até um pouco de acaso, não me parece que o Destino tivesse sido o mesmo que é nos tempos de agora.

Afinal, quantas existiriam que não foram mais além do que sonhos e objectivos por cumprir? E quantas desejariam dizer isto, e outras coisas mais, e não o fizeram? Por medo, por vergonha...

Talvez eu não saiba valorizar a liberdade, mas admiro quem o sabe. Engrandeço ainda, muito mais, quem lutou por ela. Estimo quem suportou o peso de ficar calado, oprimido, tantas vezes na vontade de gritar e apelar à chegada deste dia, onde ser livre se mostra mais importante do que qualquer outra condição humana.

Uma mulher com sorte

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